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O que os mosquitos comem?

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Por Nick A. Romero H., Biólogo e educador ambiental

Os mosquitos são um grupo diversificado de insetos da ordem dos Dípteros, e possuem uma ampla distribuição em todo o mundo, exceto na Antártica. Embora vários insetos voadores sejam chamados de mosquitos por apresentarem algumas semelhanças, os pernilongos ou muriçocas, como também são chamados esses animais, pertencem especificamente à Família Culicidae, Subfamílias Culicinae e Anophelinae.

Alguns tipos de mosquitos são totalmente inofensivos, enquanto outros, pelo contrário, podem causar problemas de saúde significativos em pessoas e outros animais.

A forma como alguns deles se alimentam provoca estas situações complicadas do ponto de vista da saúde.

Mosquitos inofensivos e perigosos

Há 3.531 espécies de mosquitos identificadas em todo o mundo, algumas delas inofensivas, pois não picam pessoas ou outros animais e não transmitem nenhum tipo de doença. Alguns exemplos de mosquitos inofensivos são:

  • Culex laticinctus
  • Culex hortensis
  • Culex deserticola
  • Culex territans

Por outro lado, existem várias espécies de importância sanitária, pois são vetores de diversas doenças que têm causado graves problemas de saúde, e que inclusive têm altas taxas de mortalidade. Algumas dessas doenças são: febre amarela, dengue, Zika, chikungunya, vírus Mayaro, filariose linfática (geralmente conhecida como elefantíase), encefalite e malária. Eles também podem transmitir vários vírus patogênicos e, em alguns casos, as picadas causam reações alérgicas que afetam muito as pessoas. Além disso, várias espécies de mosquitos também infectam diversos animais como aves, macacos, símios, vacas, entre outros.

Entre as espécies de mosquitos perigosos podemos mencionar:

  • Aedes aegypti
  • Aedes africanus
  • Anopheles gambiae
  • Anopheles atroparvus
  • Culex modestus
  • Culex pipiens

 

O que os mosquitos comem

Em relação ao que os mosquitos comem, podemos dividir os mosquitos em dois grupos. O primeiro, formado por machos e fêmeas, tem uma alimentação baseada em néctar, seiva, e diretamente de algumas frutas. Nesse sentido, esse grupo supre suas necessidades nutricionais principalmente com compostos açucarados de plantas.

O segundo grupo é caracterizado pelo fato de que machos e fêmeas também se alimentam de néctar, frutas e seiva. Mas, além disso, as fêmeas de certas espécies também são hematófagas, isto é, são capazes de picar pessoas e certos animais para extrair sangue deles. Dessa forma, as fêmeas desse grupo têm uma alimentação mais variada.

Dentro da família Culicidae encontramos o gênero Toxorhynchites, um grupo de mosquitos que não consomem sangue, mas como outras espécies, suprem suas necessidades nutricionais principalmente de fontes vegetais. No entanto, em sua fase larval, eles predam larvas de outras espécies de mosquitos e até de microrganismos encontrados na água. Além disso, muitas espécies nesta fase se alimentam de algas, detritos, protozoários e até pequenos invertebrados.

O que os mosquitos comem em laboratórios? Os mosquitos mantidos em laboratórios para fins de estudo geralmente são alimentados com preparos de substâncias açucaradas ou com frutas, para que possam extrair seus sucos.

Como os mosquitos se alimentam?

Os mosquitos realizam metamorfose e, uma vez que o adulto tenha emergido, ele inicia um voo aleatório em busca de estímulos olfativos que indiquem onde pode se alimentar. Relatórios bastante precisos foram feitos sobre como os mosquitos se alimentam, conheçamos alguns dados importantes [1].

No caso das fêmeas hematófagas, elas são capazes de perceber compostos químicos emitidos pelo organismo de um hospedeiro, como o CO2 ou o ácido lático. Esses insetos têm uma alta sensibilidade para perceber esses compostos, de modo que as fêmeas conseguem distinguir entre uma fonte alimentar e outra para selecionar aquela que fornece a melhor forma de se alimentar.

Quando uma fêmea pousa sobre a pessoa ou animal do qual vai se alimentar, ela é capaz de perceber os batimentos cardíacos e a temperatura corporal. Por isso, busca sugar sangue de uma área com alta irrigação, o que sem dúvida otimiza o processo.

Entre os mosquitos machos e fêmeas que se alimentam de sangue, há uma diferença no aparelho bucal, sendo que as fêmeas desenvolvem uma probóscide mais longa e resistente, adaptada para perfurar a pele do hospedeiro. Os machos, contudo, não precisam desta estrutura, e sim de uma que lhes permita sugar em vez de perfurar.

Quando uma fêmea pousa sobre um indivíduo, conforme suga o sangue, sua saliva vai sendo secretada, com uma substância que contém anticoagulantes. Desta forma, o sangue flui facilmente durante a alimentação. Por outro lado, é esta substância a responsável por causar alergia e inflamação na pele da vítima.

O processo de alimentação hematófaga das fêmeas é tão complexo que, mesmo dependendo da espécie, elas têm predileção por determinados tipos de indivíduos. Portanto, aquelas que preferem se alimentar de pessoas são chamadas de antropofílicas, enquanto aquelas que o fazem a partir de aves, são conhecidas como ornitofílicas. Aquelas que preferem répteis ou anfíbios são identificadas como batraciofílicas e, em geral, as que preferem outros grupos de animais são chamadas de zoofílicas.

Por que alguns mosquitos se alimentam de sangue?

A maioria das espécies de fêmeas da família Culicidae se alimenta de sangue, mas como mencionamos, algumas espécies não. No caso daquelas que se caracterizam por serem hematófagas, elas o fazem porque precisam de proteínas específicas para poder desenvolver os ovos, uma vez que o consumo de fontes vegetais de alimentos não é suficiente. Nesse sentido, para que o desenvolvimento dos ovos ocorra após a cópula com um macho, a fêmea precisa ter consumido sangue, processo que ativa nela toda uma regulação hormonal e que por sua vez permite o desenvolvimento dos ovos para posterior postura.

Agora que você viu o que o mosquito come, de acordo com o grupo do qual faz parte, com este artigo, foi possível comprovar como o mundo animal é fascinante. Vimos indivíduos que medem alguns milímetros e ainda desenvolvem processos bastante complexos para manutenção de sua vida. Além disso, muitas dessas espécies podem ter um impacto significativo na vida das pessoas, o que infelizmente está relacionado a graves problemas de saúde, como você pode observar neste artigo em que falamos sobre as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

Referências

  1. Francisco Alberto Chordá Olmos (2014). Biología de mosquitos (Diptera: Culicidae) en enclaves representativos de la Comunidad Valenciana. Tesis Doctoral de la Universidad de Valencia del Programa de Doctorado en parasitología humana y animal. Disponível em: <https://core.ac.uk/download/pdf/71024196.pdf&gt;. Acesso em 6 de agosto de 2021.

Bibliografia

  • Villarroel, E. (2013). Taxonomía y bionomía de los géneros de Culicidae (diptera: nematocera) de Venezuela: Desarrollo de una clave fotográfica. Tesis para el grado de Licenciado en Biología. Universidad Central de Venezuela, Escuela de Biología, Departamento de Zoología. Disponível em: <http://saber.ucv.ve/bitstream/123456789/15807/3/Tesis.pdf&gt;. Acesso em 6 de agosto de 2021.

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