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Estudo revela possível marcador da microcefalia causada pelo vírus da zika

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Agência FAPESP   22/07/2021


Pesquisadores do Centro de Pesquisa em Processos Redox em Biomedicina fizeram o perfil lipídico do plasma de recém-nascidos com exposição pré-natal ao vírus da zika

Imagem: CDC / Wikimedia Commons

Cientistas do Centro de Pesquisa em Processos Redox em Biomedicina (Redoxoma), da Fiocruz do Rio de Janeiro e da Bahia identificaram consideráveis alterações lipídicas no plasma de recém-nascidos com exposição pré-natal ao vírus da zika. O Redoxoma é um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela FAPESP e sediado no Instituto de Química (IQ) da Universidade de São Paulo (USP).

Os resultados do estudo podem contribuir para o diagnóstico precoce e monitoramento da zika congênita, tanto em bebês com microcefalia quanto nos assintomáticos. O vírus da zika atinge a placenta e desencadeia uma inflamação que pode causar insuficiência placentária, resultando em deficiência na liberação de determinados lipídios e levando a déficits no cérebro e na retina durante o desenvolvimento fetal. O pós-doutorando Marcos Yukio Yoshinaga, do IQ-USP, disse à Assessoria de Comunicação do Redoxoma que, com esses resultados, foi possível chegar a uma assinatura molecular que poderia ser usada como um biomarcador para crianças que foram expostas ao vírus durante o período pré-natal. Yoshinaga foi coordenador da pesquisa publicada em artigo na revista científica PLOS Neglected Tropical Diseases. Também em entrevista para a Assessoria de Comunicação do Redoxoma, a infectologista e pesquisadora Isadora Cristina de Siqueira, da Fiocruz Bahia, ressalta que a maioria dos estudos sobre a infecção congênita por zika encontrados na literatura é relacionada às descrições epidemiológicas e clínicas das crianças. “Possivelmente existe um número enorme de crianças que foram acometidas com um quadro mais leve e que precisam de um acompanhamento a longo prazo. Não temos nada palpável do ponto de vista laboratorial, nenhum biomarcador de acompanhamento ou de gravidade. Esse estudo agora traz informações novas sobre a patogênese da doença e mostra que crianças menos afetadas também apresentam alterações de lipídios. Ele traz marcadores laboratoriais que podem ser usados na prática”, comenta Siqueira.

Os mecanismos pelos quais a infecção pelo vírus da zika leva a defeitos cerebrais não são conhecidos. No entanto, segundo os pesquisadores, estudos observacionais e experimentais documentaram que o vírus tem como alvo as células da placenta, resultando não apenas no aumento da inflamação sistêmica, mas também em mudanças significativas no metabolismo lipídico da placenta. Os pesquisadores enfatizam a necessidade de novos estudos, com grupos maiores, para se investigar o papel dos lipídios individuais na neuropatogênese do vírus da zika e para transformar o perfil de lipídio do plasma em um marcador para o diagnóstico precoce de recém-nascidos com suspeita de exposição ao vírus da zika.

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND

Mecanismo celular que torna leishmaniose mais grave é desvendado

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Descoberta aponta caminhos para a busca de novas abordagens terapêuticas contra a doença

Mosquito-palha, transmissor da leishmaniose – Foto: Wikimedia Commons

Por Luciana Constantino/Agência Fapesp

Pesquisadores conseguiram desvendar “as armas” usadas pelo protozoário leishmania na célula humana para tornar mais grave a leishmaniose, principalmente a do tipo mucocutânea, que pode causar deformações nos pacientes. A descoberta aponta caminhos para a busca de novas abordagens terapêuticas contra a doença e também joga luz sobre um sistema que pode ter impacto no combate a outras enfermidades.

Esse mecanismo envolve leishmania, macrófago (uma das primeiras células de defesa a entrar em ação durante uma infecção) e um vírus que vive dentro do parasita (endossimbiótico), conhecido como LRV. Estudo publicado na revista científica iScience aponta que o protozoário inibe a ativação de caspase-11, uma proteína que faz parte do sistema de defesa das células de mamíferos (inclusive a humana), por meio de autofagia estimulada pelo vírus. Ou seja, o LRV impede que a proteína “defensora” atue para bloquear o agravamento da doença.

Infecciosa e não contagiosa, a leishmaniose é considerada endêmica em algumas regiões do Brasil. O tipo mucocutâneo, provocado por espécies de leishmania do Novo Mundo, como a L. guyanensis e a L. braziliensis, se caracteriza por feridas na pele, que chegam a atingir mucosas do nariz, boca e garganta. Em casos graves, pode destruir a cartilagem e provocar deformações. Estima-se que sejam registrados no País cerca de 20 mil casos por ano de leishmaniose tegumentar, que inclui cutânea e mucocutânea.

Tipo de lesão cutânea causada pela leishmaniose – Foto: Wikimedia Commons

O estudo  que mostra o bloqueio da caspase-11 por meio de autofagia, é parte do doutorado do pesquisador Renan V. H. de Carvalho, sob a orientação do professor Dario Zamboni, do Departamento de Biologia Celular e Molecular e Bioagentes Patogênicos da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.

“Usando macrófagos e camundongos, descobrimos que o LRV inibe a ativação da caspase-11 por leishmania, ampliando nosso entendimento sobre os mecanismos pelos quais o vírus promove a exacerbação da doença”, escrevem os pesquisadores no artigo.

Uma das inovações do trabalho – parte de uma série de outras pesquisas já publicadas pelo grupo – consistiu em mostrar a ligação da caspase-11 também com doenças parasitárias. Até então, acreditava-se que a enzima estaria envolvida essencialmente em doenças bacterianas.

Em 2019, outro artigo dos pesquisadores publicado na Nature Communications havia mostrado que os casos mais graves decorrentes da leishmaniose mucocutânea são provocados pelo protozoário infectado por LRV. Os dois trabalhos tiveram apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e foram realizados no âmbito do Centro de Pesquisas em Doenças Inflamatórias (Crid) da FMRP, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da Fapesp.

Zamboni explica que quase todas as células imunes são equipadas com um complexo proteico chamado inflamassoma. Quando uma dessas proteínas que formam o complexo (como a caspase-11) identifica um sinal de perigo para o organismo, o sistema de defesa é acionado, dando início a uma resposta inflamatória.

“Já tínhamos demonstrado que o LRV [vírus endossimbiótico da leishmania] exacerba a doença ao subverter a imunidade inata via inibição do inflamassoma mediado pela proteína NLRP3, um dos mais comuns e mais bem estudados. Agora mostramos que a autofagia bloqueia o inflamassoma via caspase-11”, conclui.

Para Carvalho, que atualmente é pesquisador do Laboratório de Dinâmica de Linfócitos da Universidade Rockefeller, em Nova York, “o artigo publicado na iScience consolida o entendimento de que a caspase-11 é de extrema importância na patogênese da leishmaniose”. Segundo ele, isso ainda não havia sido descrito.

Forma amastigota de Leishmania donovani em uma célula da medula óssea – Foto: Wikimedia Commons

Cenário

A leishmaniose mucocutânea é transmitida por insetos que se alimentam de sangue, os flebótomos, muito conhecidos no Brasil como “mosquito-palha”. Por isso, a prevenção depende muito do combate ao mosquito, assim como acontece, por exemplo, com o Aedes aegypti em relação à dengue – ambas consideradas doenças tropicais negligenciadas (DTNs).

Estima-se que as DTNs afetam cerca de 1,5 bilhão de pessoas em mais de 150 países, principalmente em regiões com escassez de água potável, déficit de saneamento básico e de serviços de saúde. Por outro lado, o apoio financeiro em pesquisas básica e clínica para doenças negligenciadas equivale a menos de 2% dos recursos para a área.

Consequentemente, não há vacinas para algumas dessas doenças, além de parte dos tratamentos disponíveis ser reaproveitada de outras aplicações, podendo causar efeitos colaterais graves. Para tentar melhorar esse quadro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou, no início de fevereiro deste ano, o plano Acabando com a Negligência para Alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A meta é promover ações e programas até 2030 para combater 20 dessas doenças negligenciadas, entre elas a leishmaniose.

“Tudo o que mostramos com esse sistema envolvendo leishmania, vírus e macrófago pode ter impacto para outras doenças. Daí a importância da ciência básica: entender a biologia para que, no futuro, sirva de base para desenvolver rapidamente novas terapias para doenças já existentes ou que venham a aparecer”, complementa Carvalho, em entrevista à Agência Fapesp.

O pesquisador cita o exemplo atual das vacinas contra a covid-19. “Um dos fatores-chave para termos vacinas de forma tão rápida foi o fato de haver muitos grupos de pesquisa em todo o mundo estudando a proteína spike em outros coronavírus, que até então não infectavam humanos. Foi essa pesquisa básica que ajudou a desenvolver em poucos meses uma vacina para o sars-cov-2.”

E é nessa ligação entre descobertas anteriores e avanço de novos estudos que se enquadra um projeto temático do qual Zamboni é pesquisador responsável, com apoio da Fapesp. Em seu escopo foi realizado o trabalho com leishmania e, mais recentemente, outro envolvendo covid-19.

Nesse último, cujo resultado foi publicado no Journal of Experimental Medicine no fim de 2020, os pesquisadores demonstraram pela primeira vez que, em pacientes com covid-19, o inflamassoma participa da ativação do processo inflamatório que pode causar danos em diversos órgãos e até mesmo levar à morte.

Fonte: Jornal da USP 

AÇÕES PREVENTIVAS NAS ESCOLAS

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A Fundação de Faculdades de Medicina – USP em parceria com a Secretaria Estadual de Educação de Limeira e dentro do Programa “Escola da Família”, realiza o Programa: Ações Preventivas nas Escolas.
Convidado, o IEC – CCZ- Rio Claro através da auxiliar Solange Mascherpe,  participou neste sábado, 21 de Setembro, na E.E. Pedro Rapahel da Rocha em Santa Gertrudes, com palestra sobre POSSE RESPONSÁVEL DE ANIMAIS.

Novos temas já estão sendo agendados para continuidade à  esta parceria, como palestras sobre Dengue .

No final da palestra foi apresentado vídeo sobre a realidade dos Rodeios.

Para agendamento de palestras gratuitas: 3535-4441 ou 3527-0309

Confira as fotos do evento.

Ações Prevts Escola Posse(4)

 

Ações Prevts Escola Posse(2)                                                                                 Ações Prevts Escola Posse(8)Ações Prevts Escola Posse(13)