DENGUE: SE VOCÊ AGIR, PODEMOS EVITAR

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Os mosquitos machos não querem seu sangue, mas ainda assim acham você muito atraente

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Um novo estudo mostra que os mosquitos machos pairam perto dos humanos, mas tendem a não pousar ou picar – um comportamento que os pesquisadores suspeitam ser uma tática para encontrar parceiras do sexo feminino. Aqui, são mostrados mosquitos enjaulados em uma mão humana em um teste de laboratório. (Foto de Perran Ross, Ph.D.)

Por Perran Ross, Ph.D.                                                                         

Este artigo foi republicado de The Conversation sob uma licença Creative Commons. 

O zumbido do mosquito é desagradável e muitas vezes inevitável ao ar livre nas noites de verão. Os mosquitos rastreiam você a dezenas de metros de distância , sentindo o dióxido de carbono no ar que você expira. Em segundos, eles localizam a pele exposta e se deliciam com seu sangue com uma variedade de agulhas especializadas .

Apenas mosquitos fêmeas bebem sangue, que é como eles espalham doenças mortais como dengue e malária. Os mosquitos machos são inofensivos, alimentando-se principalmente de néctar, mas nossa nova pesquisa confirma que eles são tão irritantes quanto os mosquitos fêmeas.

Nosso estudo, publicado em setembro no Journal of Medical Entomology , desfaz um equívoco comum de que os mosquitos machos evitam as pessoas. Na verdade, os mosquitos machos de pelo menos uma espécie comum provavelmente gostam de você tanto quanto as fêmeas – mas o motivo de seu carinho e a maneira como o expressam são muito diferentes.

O quintal e o laboratório

Usamos um experimento simples para testar se mosquitos machos da espécie Aedes aegypti , que espalha a dengue, procuram pessoas. Soltamos os mosquitos em uma grande arena, do tamanho de um quintal suburbano, e pedimos que voluntários sentassem em uma cadeira como isca. Câmeras voltadas para as pessoas filmavam os mosquitos que voavam nas proximidades. Confirmamos que os mosquitos machos realmente são atraídos pelas pessoas.

Os mosquitos fêmeas estão atrás do seu sangue, mas os mosquitos machos querem apenas passear. Em nossos experimentos, os mosquitos machos enxamearam continuamente ao redor das pessoas, mas raramente pousaram. Em contraste, os mosquitos fêmeas pousam, bebem até se fartar e depois voam para descansar.

As pessoas diferem em sua atratividade para os mosquitos fêmeas , e isso também é verdadeiro para os mosquitos machos.

Dos dois participantes em nosso estudo, uma pessoa era cerca de três vezes mais atraente que a outra. A base dessa variação não é totalmente compreendida, mas a mistura de produtos químicos que você emite da pele provavelmente é importante.

Também testamos a atração do mosquito em pequenas gaiolas no laboratório. Nesse ambiente, os machos não demonstravam interesse aparente nas pessoas, enquanto os mosquitos fêmeas, sim. Isso provavelmente ocorre porque os mosquitos machos não conseguem detectar alguns dos sinais de curto alcance que os mosquitos fêmeas podem .

Um novo estudo publicado no Journal of Medical Entomology , dissipa um equívoco comum de que os mosquitos machos evitam as pessoas. Para testar se os mosquitos machos da espécie Aedes aegypti procuram pessoas, os pesquisadores soltaram os mosquitos em uma grande arena (mostrada aqui), do tamanho de um quintal suburbano, e colocaram voluntários sentados em uma cadeira como isca. Câmeras voltadas para as pessoas filmavam os mosquitos que voavam nas proximidades. Os resultados confirmaram que os mosquitos machos são realmente atraídos pelas pessoas. (Foto de Brogan Amos, Ph.D.)

 

Se eles não estão atrás de nosso sangue, o que os mosquitos machos querem?

Por que os mosquitos machos se interessam pelas pessoas se eles não podem se alimentar do seu sangue? Achamos que se trata de encontrar as mulheres. Como os mosquitos fêmeas costumam estar ao redor das pessoas, os mosquitos machos que têm a mesma inclinação devem ter maior sucesso reprodutivo.

Mas é necessário mais trabalho para entender como e por quê. Quase todas as pesquisas comportamentais até agora se concentraram em mosquitos fêmeas.

No entanto, há um interesse crescente na liberação de mosquitos machos modificados para esterilizar mosquitos fêmeas , o que dá à nossa pesquisa aplicações práticas.

Portanto, nem todos os mosquitos que você vê buscam seu sangue. Alguns só querem você como seu braço direito, goste você ou não.

Perran Ross, Ph.D. , é pesquisador de pós-doutorado na School of BioSciences da University of Melbourne, Austrália. Ele está investigando maneiras de controlar insetos-pragas e vetores de doenças com bactérias endossimbióticas.  .

COMO ALGORITMO E PLANTA DO CERRADO PODEM SER ESPERANÇAS NO COMBATE À DENGUE

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Além da dengue, o mosquito Aedes aegypti contribui para a disseminação de zika, chikungunya e febre amarela

Melissa Cruz Cossetti 11/08/2021

A dengue, doença causada por vírus, tem comportamento sazonal e nada parece impedi-la de se repetir todos os anos. A dificuldade para frear sua disseminação é grande, mas duas pesquisas conduzidas por brasileiros estão avançando para conter o mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão também da zika e chikungunya.

Cientistas do Instituto de Química da Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho), em Araraquara, conseguiram usar dois compostos químicos promissores na eliminação das larvas do mosquito. As substâncias possuem origens distintas: uma foi criada em laboratório com ajuda da tecnologia e a outra vem da própria natureza.

Os dois estudos são orientados e supervisionados pela professora e pesquisadora Vanderlan Bolzani, farmacêutica pós-doutora pelo departamento de Química no Instituto Politécnico e Universidade Estadual da Virgínia (Estados Unidos).

 Inseticida mais eficaz a partir de tecnologia

A pesquisa do pós-doutorando Luiz Dutra, da Unesp, busca inibir a atividade de uma proteína responsável por fornecer energia ao inseto durante seu estágio de desenvolvimento larval, impedindo assim que o mosquito chegue à fase adulta. Para isso, o cientista utilizou ferramentas da bioinformática, um campo que une biologia e algoritmos de computação.

 Fazendo simulações em software, foi possível analisar, interpretar e entender interações biológicas. Neste processo, foi descoberto no Aedes aegypti uma proteína chamada quinase que possui 70% de similaridade com uma proteína da mesma família presente no organismo humano.

 Dutra selecionou virtualmente um composto que inibe essa quinase humana em tratamentos contra o câncer e que poderia ser direcionado para bloquear a proteína do mosquito. Com ambas muito semelhantes, identificar as proteínas e usá-las aumentou a chance de sucesso na inibição do alvo molecular. Com isso, acredita-se que o processo pode frear o desenvolvimento do inseto.

“Os métodos focados no vetor têm o objetivo de diminuir a proliferação do mosquito. Neste caso, a ideia é atacar as larvas. Obtendo uma efetividade na mortalidade larval, se diminui a proliferação do mosquito adulto e consequentemente a proliferação de vírus”, explica Dutra.

A molécula selecionada, derivada de um grupo químico chamado imidazol, foi eficaz para inibir o desenvolvimento de larvas em testes preliminares. Foram 76% das larvas mortas em 48 horas. Modificações na estrutura química da substância devem aumentar sua eficiência.

Nas próximas fases do estudo, o cientista pretende produzir a proteína quinase do mosquito em laboratório para que seja possível avaliar detalhadamente a eficiência do composto contra ela e validar resultados. Analisar e garantir que o composto não seja tóxico à saúde humana também estão nos planos.

Se os novos resultados forem positivos, a ideia é que a molécula seja testada diretamente contra o mosquito, na forma de um inseticida mais eficaz.

Zika e chikungunya na mira

Com os mesmos produtos químicos sendo empregados há muito tempo, os mosquitos têm adquirido resistência. Bloqueando a atividade de uma proteína vital para o inseto adulto ou para a larva, a chance do vetor adquirir resistência pode ser reduzida. Feito isso, o resultado final pode ser uma menor circulação de vírus da dengue e também do zika e chikungunya, explica Dutra.

O pesquisador afirma que essa seria uma forma complementar para erradicar doenças transmitidas pelo Aedes aegypti no país, ao lado de vacinas que estão já nas fases finais de testes, como a da dengue, que está sendo produzida e testada pelo Instituto Butantan.

“A vacina é importante porque é ela quem vai nos tornar imunes ao vírus da dengue, mas é o mosquito que carrega o vírus de uma pessoa contaminada para outra. Então, combater o mosquito de forma precoce é importante também”, ressalta o pesquisador.

“Logicamente, não teremos uma erradicação total do mosquito, e nem do vírus da dengue, mas acredito que ambas as prevenções se complementam em diminuir o número de pessoas contaminadas”, completa.

Planta do cerrado para o combate da doença

Já Helena Russo, doutoranda do Instituto de Química da Unesp, investiga se plantas da família Malpighiaceae, amplamente encontradas no Brasil podem ser boas alternativas para combater o mosquito da dengue. Segundo a pesquisadora, essa linha de plantas ainda é pouco explorada do ponto de vista químico.

Russo explica que, entre as espécies dessa família, algumas são usadas como fonte de alucinógenos em rituais indígenas e outras são tóxicas para rebanhos bovinos. As plantas são tão diversas que algumas produzem frutos populares e saborosos como acerola e murici, com alto valor nutritivo.

O interesse da pesquisadora se concentra naquelas que produzem substâncias nocivas. Ao todo foram avaliadas 139 espécies no que é a maior pesquisa já realizada com essa família botânica, conta. O extrato das folhas foi enviado para a UnB (Universidade de Brasília), parceira no estudo, onde foram testados contra as larvas do Aedes aegypti. Uma das espécies foi capaz de matar 100% das larvas em 24 horas. Outras duas eliminaram 70% das larvas em 72 horas.

As análises são preliminares, mas animadoras — e podem ser inéditas caso futuros testes confirmem os resultados. Existe um desafio, pois detalhes das substâncias em questão ainda não foram descritos na nossa literatura científica.

De qualquer forma, das mais de cem espécies, a mais eficaz contra as larvas do mosquito é uma do gênero Heteropterys, comum do cerrado brasileiro e abundante na região de Araraquara. Os próximos passos da pesquisa serão descobrir quais moléculas das folhas foram responsáveis por matar as larvas e avaliar a eficácia de diferentes concentrações do composto nelas.

 Russo se interessou em abordagens mais naturais no combate à dengue pelo fato de o Brasil possuir uma das maiores biodiversidades do mundo, destaca. Todavia, não é porque se trata de um composto obtido direto da natureza que teremos um produto menos tóxico ao Aedes. Por isso a importância de mais testes.

“Não necessariamente uma alternativa natural será menos tóxica do que os inseticidas comuns. Muitos estudos devem ser feitos após a identificação das substâncias tóxicas para o mosquito. Depois disso, poderemos saber se essas substâncias naturais tóxicas serão mais seletivas ao mosquito e menos nocivas à nossa saúde [dos humanos]”, explica a cientista.

Em caso de novos resultados positivos do uso de plantas dessa família contra a fase de larva do mosquito, haverá uma nova etapa para avaliar a eficiência do método. “Este ano vamos isolar as substâncias do extrato, e ano que vem vamos realizar diversos testes nas larvas e em outros estágios de desenvolvimento do Aedes. Com esses resultados, podemos verificar as possibilidades de aplicação de fato”, concluiu.

Ainda que preliminares, os resultados dão esperança de que futuramente novas estratégias de combate ao mosquito serão eficazes.

Fonte: UOL / Tilt

ENCONTREI UM MORCEGO! E AGORA?

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Eventualmente recebemos mensagens e pedidos de ajuda a respeito de morcegos. Relatos de pessoas encontrando morcegos em casa não é incomum, e durante o verão, esses casos acontecem com maior frequência. Para esclarecer de uma forma completa, elaboramos este manual de como lidar em caso de adentramento de morcegos.

Lembre-se de observar o animal antes de tomar qualquer iniciativa, tente verificar comportamento característico de estresse e possíveis sintomas de doenças.

ANTES DE TUDO!!!

Tente ligar para a prefeitura, procure o contato dos órgãos responsáveis em lidar com animais silvestres. Caso não tenha sucesso em falar com a prefeitura ou órgão responsável, ligue para o Centro de Controle de Zoonoses ou a Vigilância Sanitária de sua cidade para que possam buscar o morcego.

É sempre importante alguns cuidados iniciais, e se tratando de animais silvestres, é necessário considerar registro de informações e todas as medidas de segurança e para o animal e para quem vai manejá-lo.

MANTENHA REGISTRO

Para identificar o tipo de morcego e saber a melhor maneira de lidar e cuidar dele, é importante que se registre informações de características dele.

  • Fotografe o morcego (com alguma escala, ou referência);
  • Anote características físicas dele (cauda, cores, tamanho…);
  • Coletar informações de onde o morcego foi encontrado (rua, bairro, cidade; dentro de casa ou na rua? Havia animais ou pessoas perto? É possível que outro animal tenha entrado em contato com o morcego?);
  • Procure um especialista que possa estar à disposição e identifica-lo, mesmo que apenas virtualmente, durante a situação.

CONSIDERE QUESTÕES ÉTICAS

A ética deve fundamentar todas as decisões. Destacando aqui os quatro primeiros artigos da Declaração dos Direitos dos Animais:

  • Artigo 1º – Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.
  • Artigo 2º –
    • 1. Todo o animal tem o direito a ser respeitado.
    • 2. O homem, como espécie animal, não pode exterminar os outros animais ou explorá-los violando esse direito; tem o dever de pôr os seus conhecimentos ao serviço dos animais.
    • 3. Todo o animal tem o direito à atenção, aos cuidados e à proteção do homem.
  • Artigo 3º
    • 1. Nenhum animal será submetido nem a maus tratos nem a atos cruéis.
    • 2. Se for necessário matar um animal, ele deve de ser morto instantaneamente, sem dor e de modo a não provocar-lhe angústia.
  • Artigo 4º –
    • 1. Todo o animal pertencente a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu próprio ambiente natural, terrestre, aéreo ou aquático e tem o direito de se reproduzir.
    • 2. Toda a privação de liberdade, mesmo que tenha fins educativos, é contrária a este direito. O cuidado de curto e longo prazo deve ser considerado.

SEGURANÇA

Considerações sobre saúde e segurança

  • Sempre use luvas grossas de couro ou de látex e máscaras para manejo de animal silvestre.
  • Os indivíduos que vão manejar precisam estar devidamente vacinados contra o vírus da Raiva.
  • Verificar medidas necessárias para minimizar os riscos de doenças zoonóticas. Como fezes deixadas, animais possivelmente atacados… Entre outros.

É importante enfatizar que o manejo de animais silvestres deve ser evitado. Mas na falta de opções, tente ser o mais breve possível:

  • Evite estressar o animal mais que o necessário. Movimentos bruscos, gritos e conversas são estressantes. Lembre-se que o animal não sabe que você não quer feri-lo, para ele, você é um perigo em potencial.
  • Isolamento: O morcego precisa ser mantido em isolamento até a liberação.

MANEJO

Após conferidas todas as questões de informação e segurança até aqui, podemos seguir ao manejo. Há principalmente duas maneiras mais práticas de se capturar o morcego:
Captura

  • Com pano grosso ou luva de couro: Garantindo que a luva seja suficientemente grossa, espere o morcego estar quieto e calmo num local. Vá até ele e segure-o usando a mão. Em seguida, ponha-o no recipiente* (Vídeo).
  • Com Vassoura e pá: Usando vassoura e pá, se aproxime com calma e empurre o morcego lentamente em direção à pá. Ele irá andar, ajuste a pá e conduza-o com a vassoura. Em seguida, ponha-o no recipiente.
  • Balde ou caixa de papelão: Você poderá esperar o morcego se acalmar. Quando estiver em repouso, coloque a caixa de papelão ou o balde em cima dele, feche e ele ficará seguro dentro dela (Imagem).


*O recipiente pode ser um balde, caixa de papelão, vasilha, ou outra coisa profunda o suficiente para que o morcego não consiga subir.

LIBERAÇÃO

Considere questões relevantes como local, clima e altura:

  • Local: O local deve ser mais próximo possível de onde foi encontrado. Sendo caso de adentramento (de casas, construções, etc), é importante que seja num local exterior próximo. Considere deixa-lo em um muro ou nos galhos de uma árvore.
  • Clima: Morcegos tem dificuldades de voar em dias chuvosos.
  • Altura: Muitas espécies tem dificuldades em voar diretamente do chão ou de locais baixos. Considere colocá-lo em um local mais elevado como árvore ou muro.

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  • Soltura diretamente das mãos: Usando a luva de couro ou com pano grosso, você poderá pegar o morcego. Abra o pano aos poucos para que o morcego possa ver o ambiente. Com o morcego estendido, levante a mão à altura do ombro. Em alguns casos, ele deverá voar imediatamente. Em outros casos, ele não voará imediatamente, então ponha-o num local alto ou aproxime-o de uma árvore, galho ou muro.

https://www.youtube.com/embed/uwzRYohIkCg?version=3&rel=1&showsearch=0&showinfo=1&iv_load_policy=1&fs=1&hl=pt-br&autohide=2&wmode=transparentMorcego Molossus sendo colocado numa amendoeira.

  • Soltura de outros pontos: Usando luva ou pano grosso, você poderá deixar o morcego em cima de algum galho, muro ou local mais elevado. Determinadas espécies não são capazes de voar diretamente do chão, e podem ser predadas se permanecerem no solo.

Em qualquer dos casos, o morcego poderá demorar a voar, pois fará a higienização antes de retornar ao abrigo, o que poderá levar de 30 a 40 minutos. Se possível, faça o monitoramento, verificando a cada 15 minutos se o morcego permanece no local.

AMANHECEU, MAS O MORCEGO PERMANECEU!

Nesse caso, faça uma nova tentativa de ligar para a prefeitura e procure o contato com os órgãos responsáveis em lidar com animais silvestres. Caso não tenha sucesso em falar com a prefeitura ou órgão responsável, ligue para o Centro de Controle de Zoonoses ou a Vigilância Sanitária de sua cidade para que possam buscar o morcego.

Caso estes órgãos também estejam inacessíveis, considere levar o morcego à clinica veterinária mais próxima, com as anotações e registros em mãos. Elas serão úteis para o cuidado, reabilitação e soltura do morcego.

Manual elaborado baseado no manual do Batworld.org

Fonte: @Morcegando nas redes sociais

Estudo avalia impacto da dor articular pós-chikungunya

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Pesquisadores da Fiocruz Bahia investigaram os fatores de risco para artralgia persistente em pacientes com chikungunya e seu impacto nas atividades cotidianas. Os resultados do estudo, realizado com 153 pacientes de Salvador com diagnóstico da doença, apontaram uma elevada frequência de pessoas com dores nas articulações após três meses do início da doença (42,5%) e mesmo após um ano e meio (30,7%).

Chama atenção que 93,8% daqueles que permaneceram com dor articular por mais de três meses disseram ter limitações nas atividades diárias, como pentear o cabelo e vestir a roupa, e 61,5% relataram sofrimento mental, como alterações no humor e sinais de depressão.

A pesquisa, coordenada pelo pesquisador da Fiocruz Bahia Guilherme Ribeiro, foi descrita em artigo publicado no periódico International Journal of Infectious Disease. A artralgia (dor nas articulações) é um dos sintomas mais comuns da infecção por chikungunya durante a fase aguda da doença. Passada a fase inicial, os sintomas podem desaparecer completamente ou evoluir para artralgia contínua, que persistindo por três meses ou mais é classificada como crônica. No estudo, o sexo feminino e a idade foram apontados como os maiores fatores de risco para a dor persistente.

Os pesquisadores explicam que a limitação das atividades cotidianas e o sofrimento físico e mental causados pela persistência da dor articular podem levar a ausência do indivíduo do trabalho ou da escola, perda de emprego, observada para 10% dos pacientes que apresentaram dor crônica, e redução da qualidade de vida, gerando impactos no sistema de seguridade social e na economia.

O trabalho também demonstrou que, apesar do impacto da chikungunya na qualidade de vida dos indivíduos, o acesso a cuidados especializados multidisciplinares, como fisioterapia, reumatologia e psicologia, foi baixo dentre os participantes do estudo, provavelmente em decorrência da oferta limitada desses serviços no sistema público de saúde e da impossibilidade de aquisição no atendimento privado.

Diante desses dados, os pesquisadores ressaltam que o desenvolvimento de novas estratégias para mitigar a transmissão da chikungunya e o fornecimento de assistência médica de longo prazo para esses pacientes é urgente.

Fonte: Fiocruz Bahia