DENGUE: SE VOCÊ AGIR, PODEMOS EVITAR

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Os mosquitos machos não querem seu sangue, mas ainda assim acham você muito atraente

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Um novo estudo mostra que os mosquitos machos pairam perto dos humanos, mas tendem a não pousar ou picar – um comportamento que os pesquisadores suspeitam ser uma tática para encontrar parceiras do sexo feminino. Aqui, são mostrados mosquitos enjaulados em uma mão humana em um teste de laboratório. (Foto de Perran Ross, Ph.D.)

Por Perran Ross, Ph.D.                                                                         

Este artigo foi republicado de The Conversation sob uma licença Creative Commons. 

O zumbido do mosquito é desagradável e muitas vezes inevitável ao ar livre nas noites de verão. Os mosquitos rastreiam você a dezenas de metros de distância , sentindo o dióxido de carbono no ar que você expira. Em segundos, eles localizam a pele exposta e se deliciam com seu sangue com uma variedade de agulhas especializadas .

Apenas mosquitos fêmeas bebem sangue, que é como eles espalham doenças mortais como dengue e malária. Os mosquitos machos são inofensivos, alimentando-se principalmente de néctar, mas nossa nova pesquisa confirma que eles são tão irritantes quanto os mosquitos fêmeas.

Nosso estudo, publicado em setembro no Journal of Medical Entomology , desfaz um equívoco comum de que os mosquitos machos evitam as pessoas. Na verdade, os mosquitos machos de pelo menos uma espécie comum provavelmente gostam de você tanto quanto as fêmeas – mas o motivo de seu carinho e a maneira como o expressam são muito diferentes.

O quintal e o laboratório

Usamos um experimento simples para testar se mosquitos machos da espécie Aedes aegypti , que espalha a dengue, procuram pessoas. Soltamos os mosquitos em uma grande arena, do tamanho de um quintal suburbano, e pedimos que voluntários sentassem em uma cadeira como isca. Câmeras voltadas para as pessoas filmavam os mosquitos que voavam nas proximidades. Confirmamos que os mosquitos machos realmente são atraídos pelas pessoas.

Os mosquitos fêmeas estão atrás do seu sangue, mas os mosquitos machos querem apenas passear. Em nossos experimentos, os mosquitos machos enxamearam continuamente ao redor das pessoas, mas raramente pousaram. Em contraste, os mosquitos fêmeas pousam, bebem até se fartar e depois voam para descansar.

As pessoas diferem em sua atratividade para os mosquitos fêmeas , e isso também é verdadeiro para os mosquitos machos.

Dos dois participantes em nosso estudo, uma pessoa era cerca de três vezes mais atraente que a outra. A base dessa variação não é totalmente compreendida, mas a mistura de produtos químicos que você emite da pele provavelmente é importante.

Também testamos a atração do mosquito em pequenas gaiolas no laboratório. Nesse ambiente, os machos não demonstravam interesse aparente nas pessoas, enquanto os mosquitos fêmeas, sim. Isso provavelmente ocorre porque os mosquitos machos não conseguem detectar alguns dos sinais de curto alcance que os mosquitos fêmeas podem .

Um novo estudo publicado no Journal of Medical Entomology , dissipa um equívoco comum de que os mosquitos machos evitam as pessoas. Para testar se os mosquitos machos da espécie Aedes aegypti procuram pessoas, os pesquisadores soltaram os mosquitos em uma grande arena (mostrada aqui), do tamanho de um quintal suburbano, e colocaram voluntários sentados em uma cadeira como isca. Câmeras voltadas para as pessoas filmavam os mosquitos que voavam nas proximidades. Os resultados confirmaram que os mosquitos machos são realmente atraídos pelas pessoas. (Foto de Brogan Amos, Ph.D.)

 

Se eles não estão atrás de nosso sangue, o que os mosquitos machos querem?

Por que os mosquitos machos se interessam pelas pessoas se eles não podem se alimentar do seu sangue? Achamos que se trata de encontrar as mulheres. Como os mosquitos fêmeas costumam estar ao redor das pessoas, os mosquitos machos que têm a mesma inclinação devem ter maior sucesso reprodutivo.

Mas é necessário mais trabalho para entender como e por quê. Quase todas as pesquisas comportamentais até agora se concentraram em mosquitos fêmeas.

No entanto, há um interesse crescente na liberação de mosquitos machos modificados para esterilizar mosquitos fêmeas , o que dá à nossa pesquisa aplicações práticas.

Portanto, nem todos os mosquitos que você vê buscam seu sangue. Alguns só querem você como seu braço direito, goste você ou não.

Perran Ross, Ph.D. , é pesquisador de pós-doutorado na School of BioSciences da University of Melbourne, Austrália. Ele está investigando maneiras de controlar insetos-pragas e vetores de doenças com bactérias endossimbióticas.  .

PROJETO SAL DA TERRA RECEBE PALESTRA SOBRE MOSQUITOS E ARBOVIROSES

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O Projeto Sal da Terra é uma organização social, sem fins lucrativos, que visa o desenvolvimento intelectual e social de crianças e jovens que vivem em situação de pobreza e vulnerabilidade social, utilizando diferentes metodologias para estimular o protagonismo infanto-juvenil, desenvolver valores individuais e coletivos, promover a autoestima e contribuir para o desenvolvimento físico e social.

As crianças e adolescentes tem à sua disposição, além das atividades esportivas, oficinas culturais e diversas atividades na área de educação complementar.

Convidada pela direção da entidade, Solange Mascherpe palestrante do setor de Educação e Comunicação do Centro de Controle de Zoonoses, esteve presente na sede do projeto no bairro Mãe Preta, para orientação aos jovens e para funcionários sobre “Mosquitos e arboviroses transmitidas”. Na ocasião, puderam conhecer mais sobre o mosquito Aedes aegypti, as doenças que eles transmitem, prevenção e conferir o ciclo do mosquito com amostras em vidraria.

Estas ações são fundamentais para divulgação de informações preventivas contra a Dengue, Zika e Chikungunya para público atendido pela instituição e seus colaboradores.

COMO ALGORITMO E PLANTA DO CERRADO PODEM SER ESPERANÇAS NO COMBATE À DENGUE

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Além da dengue, o mosquito Aedes aegypti contribui para a disseminação de zika, chikungunya e febre amarela

Melissa Cruz Cossetti 11/08/2021

A dengue, doença causada por vírus, tem comportamento sazonal e nada parece impedi-la de se repetir todos os anos. A dificuldade para frear sua disseminação é grande, mas duas pesquisas conduzidas por brasileiros estão avançando para conter o mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão também da zika e chikungunya.

Cientistas do Instituto de Química da Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho), em Araraquara, conseguiram usar dois compostos químicos promissores na eliminação das larvas do mosquito. As substâncias possuem origens distintas: uma foi criada em laboratório com ajuda da tecnologia e a outra vem da própria natureza.

Os dois estudos são orientados e supervisionados pela professora e pesquisadora Vanderlan Bolzani, farmacêutica pós-doutora pelo departamento de Química no Instituto Politécnico e Universidade Estadual da Virgínia (Estados Unidos).

 Inseticida mais eficaz a partir de tecnologia

A pesquisa do pós-doutorando Luiz Dutra, da Unesp, busca inibir a atividade de uma proteína responsável por fornecer energia ao inseto durante seu estágio de desenvolvimento larval, impedindo assim que o mosquito chegue à fase adulta. Para isso, o cientista utilizou ferramentas da bioinformática, um campo que une biologia e algoritmos de computação.

 Fazendo simulações em software, foi possível analisar, interpretar e entender interações biológicas. Neste processo, foi descoberto no Aedes aegypti uma proteína chamada quinase que possui 70% de similaridade com uma proteína da mesma família presente no organismo humano.

 Dutra selecionou virtualmente um composto que inibe essa quinase humana em tratamentos contra o câncer e que poderia ser direcionado para bloquear a proteína do mosquito. Com ambas muito semelhantes, identificar as proteínas e usá-las aumentou a chance de sucesso na inibição do alvo molecular. Com isso, acredita-se que o processo pode frear o desenvolvimento do inseto.

“Os métodos focados no vetor têm o objetivo de diminuir a proliferação do mosquito. Neste caso, a ideia é atacar as larvas. Obtendo uma efetividade na mortalidade larval, se diminui a proliferação do mosquito adulto e consequentemente a proliferação de vírus”, explica Dutra.

A molécula selecionada, derivada de um grupo químico chamado imidazol, foi eficaz para inibir o desenvolvimento de larvas em testes preliminares. Foram 76% das larvas mortas em 48 horas. Modificações na estrutura química da substância devem aumentar sua eficiência.

Nas próximas fases do estudo, o cientista pretende produzir a proteína quinase do mosquito em laboratório para que seja possível avaliar detalhadamente a eficiência do composto contra ela e validar resultados. Analisar e garantir que o composto não seja tóxico à saúde humana também estão nos planos.

Se os novos resultados forem positivos, a ideia é que a molécula seja testada diretamente contra o mosquito, na forma de um inseticida mais eficaz.

Zika e chikungunya na mira

Com os mesmos produtos químicos sendo empregados há muito tempo, os mosquitos têm adquirido resistência. Bloqueando a atividade de uma proteína vital para o inseto adulto ou para a larva, a chance do vetor adquirir resistência pode ser reduzida. Feito isso, o resultado final pode ser uma menor circulação de vírus da dengue e também do zika e chikungunya, explica Dutra.

O pesquisador afirma que essa seria uma forma complementar para erradicar doenças transmitidas pelo Aedes aegypti no país, ao lado de vacinas que estão já nas fases finais de testes, como a da dengue, que está sendo produzida e testada pelo Instituto Butantan.

“A vacina é importante porque é ela quem vai nos tornar imunes ao vírus da dengue, mas é o mosquito que carrega o vírus de uma pessoa contaminada para outra. Então, combater o mosquito de forma precoce é importante também”, ressalta o pesquisador.

“Logicamente, não teremos uma erradicação total do mosquito, e nem do vírus da dengue, mas acredito que ambas as prevenções se complementam em diminuir o número de pessoas contaminadas”, completa.

Planta do cerrado para o combate da doença

Já Helena Russo, doutoranda do Instituto de Química da Unesp, investiga se plantas da família Malpighiaceae, amplamente encontradas no Brasil podem ser boas alternativas para combater o mosquito da dengue. Segundo a pesquisadora, essa linha de plantas ainda é pouco explorada do ponto de vista químico.

Russo explica que, entre as espécies dessa família, algumas são usadas como fonte de alucinógenos em rituais indígenas e outras são tóxicas para rebanhos bovinos. As plantas são tão diversas que algumas produzem frutos populares e saborosos como acerola e murici, com alto valor nutritivo.

O interesse da pesquisadora se concentra naquelas que produzem substâncias nocivas. Ao todo foram avaliadas 139 espécies no que é a maior pesquisa já realizada com essa família botânica, conta. O extrato das folhas foi enviado para a UnB (Universidade de Brasília), parceira no estudo, onde foram testados contra as larvas do Aedes aegypti. Uma das espécies foi capaz de matar 100% das larvas em 24 horas. Outras duas eliminaram 70% das larvas em 72 horas.

As análises são preliminares, mas animadoras — e podem ser inéditas caso futuros testes confirmem os resultados. Existe um desafio, pois detalhes das substâncias em questão ainda não foram descritos na nossa literatura científica.

De qualquer forma, das mais de cem espécies, a mais eficaz contra as larvas do mosquito é uma do gênero Heteropterys, comum do cerrado brasileiro e abundante na região de Araraquara. Os próximos passos da pesquisa serão descobrir quais moléculas das folhas foram responsáveis por matar as larvas e avaliar a eficácia de diferentes concentrações do composto nelas.

 Russo se interessou em abordagens mais naturais no combate à dengue pelo fato de o Brasil possuir uma das maiores biodiversidades do mundo, destaca. Todavia, não é porque se trata de um composto obtido direto da natureza que teremos um produto menos tóxico ao Aedes. Por isso a importância de mais testes.

“Não necessariamente uma alternativa natural será menos tóxica do que os inseticidas comuns. Muitos estudos devem ser feitos após a identificação das substâncias tóxicas para o mosquito. Depois disso, poderemos saber se essas substâncias naturais tóxicas serão mais seletivas ao mosquito e menos nocivas à nossa saúde [dos humanos]”, explica a cientista.

Em caso de novos resultados positivos do uso de plantas dessa família contra a fase de larva do mosquito, haverá uma nova etapa para avaliar a eficiência do método. “Este ano vamos isolar as substâncias do extrato, e ano que vem vamos realizar diversos testes nas larvas e em outros estágios de desenvolvimento do Aedes. Com esses resultados, podemos verificar as possibilidades de aplicação de fato”, concluiu.

Ainda que preliminares, os resultados dão esperança de que futuramente novas estratégias de combate ao mosquito serão eficazes.

Fonte: UOL / Tilt

A nova ciência explica por que os mosquitos preferem algumas pessoas a outras

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Equipe analisou a ciência disponível para responder a uma pergunta: por que os mosquitos picam alguns mais do que outros?

Maite Knorr-Evans / Sergio Delgado

No ano passado, os Estados Unidos confirmaram 664 casos do vírus do Nilo Ocidental , que é transmitido por minúsculos sugadores de sangue. Esses casos resultaram em 52 mortes , sendo que o maior número – 20 – foi registrado no Texas .

Até agora neste ano, o calor seco que afeta grande parte do Ocidente reduziu os casos a níveis mais administráveis. Apenas 11 casos e uma morte foram relatados .

Por que os mosquitos parecem preferir algumas pessoas mais do que outras?

Quando estiver em grupos de pessoas, você pode descobrir que é menos mordido do que se enfrentasse o inseto desagradável sozinho.

Das mais de 3.500 espécies de mosquitos, apenas 200 deles bebem sangue humano. Estudos feitos neste subconjunto menor são atacados por características específicas que podem levar a receber mais ou menos mordidas.

Dióxido de carbono e tipos sanguíneos

Com seus fortes sentidos olfativos , os mosquitos costumam identificar os melhores lugares do corpo para picar, geralmente os pés e os tornozelos.

Pesquisadores da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres descobriram que o odor do corpo humano e vários compostos químicos podem causar mais picadas.

Existem dois compostos que o nosso corpo cria naturalmente e que podem atrair os mosquitos: dióxido de carbono e ácido láctico. Os adultos tendem a ser mordidos com mais frequência do que as crianças porque emitem mais dióxido de carbono.

Mais tarde, os pesquisadores descobriram que os parasitas podem alterar o cheiro de um hospedeiro humano, tornando-os mais suscetíveis às picadas dos mosquitos . Isso é especialmente perigoso em áreas onde a malária e outras doenças transmitidas por mosquitos estão presentes.

Um estudo do American Journal of Entomology encontrou pequenas diferenças na preferência dos mosquitos pelo tipo sanguíneo . O estudo rastreou 300 mosquitos; 192 foram confirmados por terem mordido uma pessoa. Trinta por cento dos insetos picaram alguém com sangue Tipo O.

Resultados do estudo do tipo sanguíneo

Grupo sanguíneoNúmero de mordidasPorcentagem do total de mordidas
UMA3417%
AB4825%
B3719%
O5930%
Múltiplas mordidas 147%

Fonte: American Journal of Entomology

No entanto, os níveis de reprodução dos insetos, representados pelo número de ovos postos, eram os mesmos em todos os tipos de sangue.

Outros estudos demonstraram que o preto e o vermelho tendem a atrair mosquitos , enquanto o amarelo e o verde os mantêm afastados.

Fonte: Revista as

Estudo revela possível marcador da microcefalia causada pelo vírus da zika

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Agência FAPESP   22/07/2021


Pesquisadores do Centro de Pesquisa em Processos Redox em Biomedicina fizeram o perfil lipídico do plasma de recém-nascidos com exposição pré-natal ao vírus da zika

Imagem: CDC / Wikimedia Commons

Cientistas do Centro de Pesquisa em Processos Redox em Biomedicina (Redoxoma), da Fiocruz do Rio de Janeiro e da Bahia identificaram consideráveis alterações lipídicas no plasma de recém-nascidos com exposição pré-natal ao vírus da zika. O Redoxoma é um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela FAPESP e sediado no Instituto de Química (IQ) da Universidade de São Paulo (USP).

Os resultados do estudo podem contribuir para o diagnóstico precoce e monitoramento da zika congênita, tanto em bebês com microcefalia quanto nos assintomáticos. O vírus da zika atinge a placenta e desencadeia uma inflamação que pode causar insuficiência placentária, resultando em deficiência na liberação de determinados lipídios e levando a déficits no cérebro e na retina durante o desenvolvimento fetal. O pós-doutorando Marcos Yukio Yoshinaga, do IQ-USP, disse à Assessoria de Comunicação do Redoxoma que, com esses resultados, foi possível chegar a uma assinatura molecular que poderia ser usada como um biomarcador para crianças que foram expostas ao vírus durante o período pré-natal. Yoshinaga foi coordenador da pesquisa publicada em artigo na revista científica PLOS Neglected Tropical Diseases. Também em entrevista para a Assessoria de Comunicação do Redoxoma, a infectologista e pesquisadora Isadora Cristina de Siqueira, da Fiocruz Bahia, ressalta que a maioria dos estudos sobre a infecção congênita por zika encontrados na literatura é relacionada às descrições epidemiológicas e clínicas das crianças. “Possivelmente existe um número enorme de crianças que foram acometidas com um quadro mais leve e que precisam de um acompanhamento a longo prazo. Não temos nada palpável do ponto de vista laboratorial, nenhum biomarcador de acompanhamento ou de gravidade. Esse estudo agora traz informações novas sobre a patogênese da doença e mostra que crianças menos afetadas também apresentam alterações de lipídios. Ele traz marcadores laboratoriais que podem ser usados na prática”, comenta Siqueira.

Os mecanismos pelos quais a infecção pelo vírus da zika leva a defeitos cerebrais não são conhecidos. No entanto, segundo os pesquisadores, estudos observacionais e experimentais documentaram que o vírus tem como alvo as células da placenta, resultando não apenas no aumento da inflamação sistêmica, mas também em mudanças significativas no metabolismo lipídico da placenta. Os pesquisadores enfatizam a necessidade de novos estudos, com grupos maiores, para se investigar o papel dos lipídios individuais na neuropatogênese do vírus da zika e para transformar o perfil de lipídio do plasma em um marcador para o diagnóstico precoce de recém-nascidos com suspeita de exposição ao vírus da zika.

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND

6 de Julho – Dia Mundial das Zoonoses

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Celebrado anualmente, em 6 de julho, o Dia Mundial das Zoonoses foi criado para enfatizar a discussão acerca do tema. A data faz referência ao dia em que o cientista francês Louis Pasteur aplicou com sucesso a primeira vacina antirrábica, em 1885.

Zoonoses são as enfermidades transmitidas naturalmente entre os animais e o homem, podendo ser causadas por vários agentes etiológicos. Dentre eles, destacamos protozoários, vírus, bactérias, fungos, helmintos e rickéttsias.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS/ONU), 60% das doenças infecciosas humanas e 75% das novas doenças que infectaram os seres humanos nas últimas décadas têm origem animal. É cada vez mais comum que doenças mudem de espécies e se espalhem na população, em meio ao crescimento das cadeias de agricultura e abastecimento alimentar.

A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) determinou que a saúde humana e a saúde animal são interdependentes e vinculadas à saúde dos ecossistemas em que existem, no conceito chamado de Saúde Única (One Health).

“Assim, toda ação, atividade e estratégia de vigilância, prevenção e controle de zoonoses de relevância para a saúde pública, desenvolvidas e executadas pela área de vigilância de zoonoses, processo epidemiológico de instalação, transmissão e manutenção de zoonoses, requer a presença técnica da Medicina Veterinária, considerando a população exposta, a espécie animal envolvida, a área afetada, todas vinculadas ao foco da saúde única, integrando de forma definitiva meio ambiente, saúde animal e humana”, acrescenta o presidente da CNSPV.

Tudo isso mostra que a atuação do médico-veterinário está ligada também à saúde humana. O profissional está presente na inspeção de produtos de origem animal, na saúde do meio ambiente, a fim de evitar a proliferação de doenças como a leishmaniose, assim como no tratamento e prevenção de zoonoses. O médico-veterinário, pelo seu amplo e diversificado currículo, tem de forma singular a capacidade de compor equipes de saúde e nelas aplicar seus conhecimentos em relação a profilaxias, diagnóstico clínico e laboratorial, terapêuticas, epidemiologia, inspeção, vigilância, extensão, educação, prevenção e promoção à saúde.

Zoonoses e arboviroses: conheça mais sobre o tema

A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) determinou que a saúde humana e a saúde animal são interdependentes e vinculadas à saúde dos ecossistemas em que existem, no conceito de Saúde Única (One Health).

Artigo publicado na aponta que cerca de 60% das enfermidades que acometem humanos são zoonoses e 75% das doenças conhecidas como emergentes e reemergentes são de origem animal. De acordo com o do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, em 2020 já foram notificados 30.763 casos prováveis de dengue no país.

Esses dados indicam que a atuação do médico-veterinário está ligada também à saúde humana. O profissional está presente na inspeção de produtos de origem animal, na saúde do meio ambiente, a fim de evitar a proliferação de doenças como a leishmaniose, assim como no tratamento e prevenção de zoonoses e arboviroses.

Quais são as diferenças entre zoonoses e arboviroses?

Zoonoses são as enfermidades transmitidas naturalmente entre os animais e o homem, podendo ser causadas por vários agentes etiológicos. Dentre eles, destacamos protozoários, vírus, bactérias, fungos, helmintos e rickettsias.

Arboviroses são enfermidades que também incluem zoonoses, só que causadas especificamente por arbovírus e transmitidas por artrópodes, como insetos e aracnídeos*. Comuns em regiões de clima tropical e subtropical, existem 545 espécies de arbovírus, sendo que 150 delas causam doenças em seres humanos.

Quais são as principais doenças de cada tipo?

Zoonoses: raiva, leishmaniose, esporotricose, febre maculosa, teníase/cisticercose, hidatidose, brucelose, tuberculose e mormo;

Arboviroses: febre amarela, dengue, Zika, Chikungunya, febre do Nilo, febre do Mayaro e encefalites.

Liste as principais medidas de prevenção.

Vacinação, saneamento básico, higiene, atuação dos órgãos de vigilância, inspeção de alimentos, defesa sanitária animal e educação ambiental.

E as principais formas de transmissão?

Há diversas formas de transmissão, como por meio de alimentos, terra, água, mordedura, arranhões e lambeduras de animais, além de picadas de insetos e outros artrópodes.

Como é o tratamento?

Vai depender do tipo de agente etiológico causador da enfermidade. Em geral, as ocasionadas por bactérias, fungos e protozoários possuem arsenal terapêutico relativamente vasto, como antibióticos, antifúngicos, antimoniais, dentre outros. Já para as enfermidades virais, em sua maioria, é usada uma medicação de suporte, porém a ferramenta mais importante para a prevenção de algumas dessas enfermidades imunopreviníveis é a vacinação.

Qual é o papel do médico-veterinário nesse contexto?

O médico-veterinário, pelo seu amplo e diversificado currículo, tem de forma singular a capacidade de compor em equipes de saúde e nelas aplicar seus conhecimentos em relação a profilaxias, diagnóstico clínico e laboratorial, terapêuticas, epidemiologia, inspeção, vigilância, extensão, educação, prevenção e promoção à saúde.

*Segundo a CNSPV/CFMV, já foi comprovado o papel dos aracnídeos (carrapatos) na transmissão de algumas arboviroses em varios países do mundo. No Brasil, vários estudos identificaram a presença de agentes virais e zoonóticos nos carrapatos, porém, ainda não foi estabelecida sua participação e importância epidemiológica no ciclo de transmissão.

Fonte: CFMV – Conselho Federal de Medicina Veterinária

SOLDADOS DO TIRO DE GUERRA RECEBEM INFORMAÇÕES DO CENTRO DE CONTROLE DE ZOONOSES

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Divididos em várias turmas para evitar aglomerações, soldados do Tiro de Guerra de Rio Claro, receberam o setor de educação e comunicação do Centro de Controle de Zoonoses, representado pela palestrante Solange Mascherpe, para conhecerem sobre os problemas gerados pelo descarte incorreto de lixo através da palestra: “Lixo = Bicho – Animais e doenças relacionados pelo descarte incorreto de lixo”.

Na oportunidade, puderam ter conhecimento sobre criadouros de mosquitos, sintomas e prevenção de Dengue, Zika, Chikungunya, roedores, animais peçonhentos, caramujos, pombos, entre outros tópicos. Após a apresentação, os soldados puderam conferir a vidraria com animais peçonhentos encontrados na cidade.

Na busca de parcerias para a conscientização na utilização dos serviços municipais  referentes ao descarte de materiais e prevenção de doenças relacionadas,  os soldados, oficiais e familiares são muito importantes para estes  trabalhos preventivos.

CCZ PARTICIPA DE CURSO DE ATUALIZAÇÃO DA DEFESA CIVIL

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Durante o mês de Maio, a Defesa Civil de Rio Claro promoveu em suas dependências o “V Curso de Atualização Técnica de Defesa Civil”.

O objetivo do evento anual é manter os colaboradores atualizados nos diversos segmentos em que atuam.

O Centro de Controle de Zoonoses participou com a palestrante Solange Mascherpe abordando os temas “Animais Peçonhentos” e “O Aedes Aegypti e as arboviroses transmitidas”. Após as apresentações os funcionários puderam conferir vidraria com os animais peçonhentos em exposição e o ciclo do mosquito transmissor da Dengue, Zika, Chikungunya e Febre Amarela.

Todas as ações foram realizadas respeitando-se as orientações preventivas contra o Covid-19 como a utilização de máscaras, higienização das mãos e distanciamento entre os participantes.

CCZ PARTICIPA DE CICLO DE PALESTRAS NA GUARDA MUNICIPAL

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A Guarda Civil Municipal de Rio Claro está realizando um ciclo de palestras para seus profissionais, visando a capacitação para uma melhor qualificação e eficiência nos serviços prestados pelos GCM’s.

O setor de educação e comunicação do Centro de Controle de Zoonoses participou com a palestrante Solange Mascherpe ministrando os temas: Lixo = Bicho – Animais e doenças relacionadas ao descarte incorreto de lixo, Febre Maculosa e Posse Responsável de Animais. Assuntos pertinentes aos trabalhos diários das equipes da guarda.

Respeitando normas preventivas contra o Covid, como distanciamento, utilização de máscaras e higienização das mãos, as turmas foram divididas e as palestras foram realizadas durante dois dias para evitar assim, uma maior aglomeração.

Após o encerramento, os integrantes receberam certificados de participação.

Nossos agradecimentos ao comando da Guarda Civil Municipal pelo convite e oportunidade às informações; importantes parcerias para o desenvolvimento dos colaboradores e dos serviços públicos.

Água sanitária é uma ótima ‘arma’ contra o mosquito Aedes aegypti

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O hipoclorito de sódio se mostra eficaz para matar as larvas do mosquito que transmite dengue, zika, febre amarela e chikungunya

Os ralos dos banheiros também podem ser foco para proliferação das larvas do mosquito Aedes aegypti. Por isso, eles precisam ser constantemente limpos com água sanitária

O combate à larva do Aedes aegypti, no Brasil, é uma questão tão séria que se transformou quase uma “guerra”. Além da conscientização das pessoas em relação aos perigos de deixar água parada em casa, é importante saber como inibir o crescimento dos mosquitos. Uma solução é o uso da famosa água sanitária (hipoclorito de sódio diluído). Além das doenças causadas pelo Aedes (dengue, zika, febre amarela e chikungunya), a substãncia ajuda a prevenir contra leptospirose, hepatites A e E e gastroenterites.

“O produto é capaz de matar a maior parte de germes e bactérias causadores das doenças transmitidas pela água contaminada das enchentes. Além disso, é de fácil acesso à população e tem baixo custo”, explica o médico toxicologista Flavio Zambrone, da Associação Brasileira da Indústria de Cloro, Álcalis e Derivados (Abiclor).

Uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP), a pedido da Abiclor, comprovou a eficácia do hipoclorito de sódio no combate às larvas do mosquito Aedes aegypti. O estudo, realizado entre abril e maio deste ano, descobriu que a água sanitária possui eficácia média de 75% por um período de até 120 horas.

Nas primeiras 24 horas do experimento, houve uma eficiência do hipoclorito de sódio na mortalidade dos mosquitos em diferentes concentrações (1 ml, 2 ml e 3 ml por litro de água). A dosagem de 2 ml/l de água foi a que apresentou a maior porcentagem de mortalidade larval, chegando a 75 no intervalo de 24 horas.

Já em 48 horas, observou-se um aumento no índice de eficiência de mortalidade das larvas, que alcançou 92,5% no tratamento com 3 ml/l de água sanitária.

No teste adicional com uma dose de 4 ml/l, duas vezes superior à recomendada, a mortalidade foi de 80% em 24 horas. “Portanto recomenda-se o uso de uma dose de 10 ml/l para matar 100% das larvas do mosquito em 24 horas”, diz o professor Valter Arthur, da USP, responsável pela pesquisa sobre o combate ao Aedes.

Dicas de uso da água sanitária:

  • Ralos: despeje uma solução de água sanitária na proporção de uma colher de sopa por litro de água em ralos de pias, banheiros e cozinha. Faça a limpeza à noite, antes de dormir, para que o produto possa agir por mais tempo
  • Plantas: use uma colher de sopa de hipoclorito de sódio por litro de água também para a rega de plantas, particularmente as que acumulam água entre as folhas, como as bromélias. Conforme a associação, essa solução não faz mal às plantas e evitará o desenvolvimento da larva do mosquito
  • Vaso sanitário: coloque o equivalente a duas colheres de água sanitária por litro de água no vaso sanitário. Esse é um cuidado que se deve ter especialmente antes de viajar, já que é um período em que a casa estará fechada e o banheiro não será usado
  • Piscina: é importante manter a piscina tratada, mesmo que não esteja sendo usada. Com o tempo, o cloro pode evaporar, e a piscina se torna um foco da larva do Aedes. Durante o inverno, por exemplo, é comum deixar a piscina coberta. Neste caso, não deixe acumular água de chuva na lona de cobertura, pois pode ser um foco do mosquito
  • Caixas d’água: a limpeza deve ser feita a cada seis meses. Feche a entrada de água e esvazie a caixa quase toda. Deixe sobrar água suficiente para lavar, com uma escova, as paredes e o fundo. Não use produtos de limpeza nesta etapa. Enxágue bem e esvazie toda a água suja. Depois de limpa, encha a caixa novamente e adicione um litro de água sanitária para cada mil litros de água. Espere duas horas e esvazie novamente a caixa, abrindo todas as torneiras, para limpar os canos da casa, até sair água limpa. Depois, encha com água potável e tampe
  • Verduras, frutas e legumes: coloque água misturada com hipoclorito de sódio numa bacia plástica, na proporção de uma colher de sopa (15 ml) de água sanitária para cada litro de água. Lave as verduras, frutas e legumes com água corrente em abundância e depois mergulhe por 30 minutos essa solução, agitando ocasionalmente. Passado esse tempo, lave novamente a verdura, fruta ou legume na torneira tirando o excesso de água sanitária.

Fonte: Revista Encontro